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quarta-feira, 6 de março de 2013

Rebeldes sírios capturam mantenedores de paz da ONU nas colinas de Golã

Israel já alertou que não irá "ficar parado".

OLIVER HOLMES - Reuters

Rebeldes sírios capturaram um comboio das forças de paz da ONU nos arredores das colinas de Golã e dizem que manterão seus integrantes reféns até que as forças do presidente da Síria, Bashar al-Assad, abandonem uma aldeia onde houve combates recentes.

A captura foi anunciada em vídeos que os rebeldes divulgaram pela internet e confirmada nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, com a informação de que cerca de 20 integrantes das forças de paz foram detidos.

Essa é a mais direta ameaça ao pessoal da ONU em quase dois anos de rebelião na Síria contra Assad, e a Human Rights Watch disse estar investigando a mesma brigada rebelde por causa de execuções extrajudiciais cometidas anteriormente.

O incidente ocorre no dia em que a Grã-Bretanha anunciou um aumento no auxílio às forças rebeldes, e a Liga Árabe autorizou que seus Estados membros armem os insurgentes.

O órgão regional também convidou a coalizão oposicionista síria para ocupar o assento do país numa reunião da Liga neste mês em Doha. A Síria está suspensa da Liga Árabe desde novembro de 2011 por causa da repressão a protestos, que desde então descambou para uma guerra civil.

A força de paz conhecida pela sigla Undof há quase quatro décadas monitora uma linha de cessar-fogo entre a Síria e as colinas do Golã, território sírio capturado por Israel na guerra de 1967.

Israel já alertou que não irá "ficar parado" se a guerra civil síria contaminar a região do Golã.

A ONU disse em Nova York que seu pessoal foi detido por cerca de 30 combatentes no Golã.

"Os observadores da ONU estavam em uma missão regular de abastecimento e foram parados perto do Posto de Observação 58, que sofreu danos e foi desocupado no último fim de semana por causa de intensos combates nas proximidades, em Al Jamla", disse a entidade, referindo-se a uma aldeia onde houve violentos confrontos no domingo.

A ONU não informou a nacionalidade dos observadores, mas o Observatório Sírio de Direitos Humanos disse, após contato com a brigada rebelde, que o grupo é de filipinos.

Num vídeo dos rebeldes, um jovem que se diz da Brigada dos Mártires de Yarmouk aparece de pé, cercado por vários combatentes armados de rifles, em frente a dois veículos blindados brancos e um caminhão com insígnias da ONU.

O homem, à paisana, exige que as forças de Assad abandonem os arredores de Jamla. Pelo menos cinco pessoas são vistas sentadas nos veículos, usando os capacetes azuis da ONU e coletes à prova de balas.

"Se nenhuma retirada for feita em 24 horas, vamos tratá-los como prisioneiros", disse ele, acusando-os de colaborar com as forças de Assad na expulsão dos rebeldes de Jamla.


(Reportagem adicional de Dominic Evans e Laila Bassam, em Beirute; e de Jonathon Burch, em Ancara)


Fonte: Reuters

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